Crise Global de Recursos Humanos em Saúde

Professor Doutor Mario Dal Poz, um dos coordenadores do nosso Centro Brasil de Saúde Global teve a honra de participar do #MeetTheExpert, sobre a Saúde Pública no Paquistão. A palestra sobre Recursos Humanos para a Saúde e Research Challenges contou com mais de 70 membros do corpo docente, especialistas em pesquisa, estudantes e representantes do Instituto de Saúde Pública, King Edward Medical University, Universidade Médica de Fátima Jinnah, Universidade de Ciências de Gestão de Lahore, CMH , Universidade de Punjab, Departamento de Enfermagem, Universidade de Ciências da Saúde, Sheikh Zayed Hospital, Departamento de Saúde e outras organizações do setor privado.

Fotos do PPHA:

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Links de apoio:

WHO offers technical support to Punjab Health Department to develop HRH.

WHO offers help for human resources in Punjab.

Punjab becomes the first province to finalise health workforce strategy.

Punjab first province to finalize health workforce strategy

WHO offers support for development of HRH in Punjab

– The BMJ: Quantas vidas estão em jogo? Avaliação das trajetórias de 2030 de metas de desenvolvimento sustentável para a saúde materno-infantil.

John W McArthur , Krista Rasmussen e Gavin Yamey examinam até que ponto os países têm que ir para alcançar as metas de mortalidade materna e infantil e o que precisa ser feito para ajudá-los.
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– Escravos sem correntes: trabalhadores resgatados relatam ameaças, moradias insalubres e água dividida com animais.

Dívidas impagáveis, ameaças veladas, água dividida com animais, jornadas extenuantes sem descanso, moradias insalubres, falta de equipamentos de proteção e de kits de primeiros socorros. Os relatos de trabalhadores resgatados no país reúnem vários elementos que mostram como se configura o trabalho análogo ao de escravos nos dias de hoje.
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– A Saúde Global na Agenda 2030: Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.
Por Eduardo Faerstein.

Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades, até 2030 é um dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), compromisso global firmado pelos Estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2015.
Note-se que até o início do século XIX vivia-se em média 30 anos na maioria dos países. Em contraste, ao longo dos últimos 200 anos houve impressionantes progressos na duração e na qualidade da vida humana, relacionados inicialmente a melhorias nas condições gerais de vida, com destaque para melhorias nutricionais, combinadas na segunda metade do século passado a importantes avanços científicos e tecnológicos na prevenção e tratamento de doenças. Tais progressos, entretanto, foram marcados por grandes desigualdades regionais e sociais na maioria dos países. A diferença na vida média de 34 anos entre Japão, onde a expectativa de vida é de 84 anos, e Sierra Leone, onde essa expectativa é de 50 anos, é por vezes ainda maior entre bairros de muitas cidades em todos os continentes. A partir dos anos 1980, tais desigualdades sociais na saúde vêm aumentando.
Na Declaração Política do Rio sobre Determinantes Sociais da Saúde, em 2011, governos reconheceram que tais desigualdades são produzidas, fundamentalmente, por “condições sociais em que as pessoas nascem, crescem, vivem, trabalham e envelhecem, as quais recebem a denominação de determinantes sociais da saúde. Esses determinantes incluem as experiências do indivíduo em seus primeiros anos de vida, educação, situação econômica, emprego e trabalho decente, habitação e meio ambiente, além de sistemas eficientes para a prevenção e o tratamento de doenças.” Hoje há maior compreensão sobre as complexas conexões existentes entre os níveis de saúde populacional e seus determinantes sociais, disseminados em praticamente todos os ODS. Eis o cerne do debate contemporâneo sobre os desafios a enfrentar para a melhoria da saúde das populações.
Determinantes sociais da saúde, de natureza macroestrutural e ambiental, têm crescentemente dimensões globais, tendo em vista os complexos e interconectados processos socioeconômicos e socioculturais trazidos à vida dos povos pela globalização dos mercados, mudanças climáticas, perda de biodiversidade e outros fenômenos. Por exemplo: estratos sociais “perdedores” da globalização enfrentam “epidemias do desespero” (abuso de álcool e drogas); estratégias de marketing dos oligopólios transnacionais dos alimentos contribuem para a pandemia de obesidade; mudanças climáticas — influenciadas, entre outros fatores, pela pecuária — potencializam epidemias de doenças transmitidas por vetores (Aedes aegypti, outros); redução de habitats naturais expõe indivíduos a novos patógenos, até então restritos aos ciclos silvestres; a exposição à poluição ambiental concentra-se em países e estratos populacionais mais pobres.
Isoladamente, os estados nacionais têm dificuldades para enfrentar de modo efetivo tais determinantes macroestruturais e ambientais. Nesse sentido, a conjuntura internacional é preocupante, dadas a crescente concentração de poder econômico e político, acompanhada de tendências socialmente regressivas e politicamente isolacionistas e xenófobas. Esforços dirigidos à implementação da Agenda 2030 — ODS e suas metas — representam uma contracorrente àquelas tendências, e devem encontrar inspiração em antecedentes de colaborações internacionais bem-sucedidas em benefício da saúde global, como o Programa de Erradicação da Varíola (1966-1980) e a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (2005), primeiro tratado internacional de saúde da história. Atualmente, debate-se em múltiplas instancias a necessidade de uma Convenção-Quadro para a Saúde Global, um novo tratado de natureza vinculante que torne mais efetiva a governança global em saúde.

Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e a saúde:

Os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), concretizados em 169 metas, substituíram a plataforma multilateral Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM), acordada em 2000 pelos governos na Cúpula do Milênio – precedida por reuniões promovidas pelo sistema ONU nos anos 1990 (Rio-92 e outras). Após 15 anos de vigência dos ODM, há estórias de sucesso a registrar no campo da saúde, como a redução das mortes infantis e aquelas relacionadas a gestação e ao parto. Os progressos alcançados, entretanto, ficaram aquém do desejado.
Em comparação aos ODM, a formulação dos ODS envolveu um processo substancialmente mais amplo de consultas a governos, instituições acadêmicas e sociedade civil. O conceito crucial de indivisibilidade das dimensões econômicas, sociais e ambientais do desenvolvimento sustentável passou então a ser aceito como estratégico. Não se trata de tese trivial.
O compromisso com a saúde global desdobra-se em metas específicas ao Objetivo 3 (Saúde e Bem-Estar): reduzir a taxa de mortalidade materna; acabar com as mortes evitáveis de recém-nascidos e crianças menores de cinco anos; e acabar com as epidemias de AIDS, tuberculose, malária e doenças tropicais negligenciadas, combater a hepatite, doenças transmitidas pela água, e outras doenças transmissíveis. Consta também a redução em um terço da mortalidade prematura por doenças não transmissíveis via prevenção e tratamento, e promover a saúde mental e o bem-estar; reforçar a prevenção e o tratamento do abuso de substâncias, incluindo o abuso de drogas entorpecentes e uso nocivo do álcool; reduzir pela metade as mortes e os ferimentos globais por acidentes em estradas. O compromisso abrange ainda assegurar o acesso universal aos serviços de saúde sexual e reprodutiva, incluindo o planejamento familiar, informação e educação; atingir a cobertura universal de saúde; e reduzir substancialmente o número de mortes e doenças por produtos químicos perigosos, contaminação e poluição do ar e água do solo.
Tais compromissos, se cumpridos em estreita conexão com as metas associadas aos demais ODS, potencialmente abrem um novo capítulo na história da saúde das populações: melhoria para todos, com redução das desigualdades.

Museu do amanhã. A Saúde Global na Agenda 2030: Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

 

– Análises epidemiológicas devem refletir sobre aspectos sociais da saúde, defende agência da ONU: Análises epidemiológicas precisam levar em conta as determinantes sociais da saúde, bem como adotar perspectivas de gênero. A recomendação é do representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) no Brasil, Joaquín Molina. Durante participação na abertura do 10º Congresso Brasileiro de Epidemiologia, o dirigente da agência da ONU também reiterou o apoio do organismo ao Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro. Saiba mais, no ONUBR:

– Saúde em Crises Humanitárias: As crises humanitárias em larga escala estão em andamento na Síria, no Afeganistão, na República Centro-Africana, na República Democrática do Congo, no Iraque, na Líbia, na Nigéria, na Somália, no Sudão do Sul e no Iémen, entre outros. Esta série Lancet de quatro artigos e comentários acompanhantes avalia a base de evidências para intervenções de saúde em crises humanitárias e encontra variações significativas na quantidade e qualidade da evidência.
Série Lancet:

1- Evidências sobre intervenções de saúde pública em crises humanitárias.
2- Informação de saúde pública em populações afetadas pela crise: uma revisão dos métodos e seu uso para advocacia e ação
3- Falhas recorrentes do humanitarismo médico: intratável, ignorado ou simplesmente exagerado?
4- O sistema humanitário não é apenas quebrado, mas está quebrado: recomendações para futuras ações humanitárias.

– 10 coisas que você deve saber sobre a crise Síria:”OMS tem feito progressos importantes no seu trabalho durante a crise síria. Uma negociação bem sucedida levou à evacuação de pacientes em estado crítico de leste Aleppo. Milhares mais, fugindo áreas sitiadas, recebeu cuidados de saúde a partir de clínicas móveis. Mas muitos desafios permanecem. Quase 13 milhões de pessoas necessitam de serviços médicos. Os recursos são limitados e acesso em muitas partes do país é quase impossível. Saiba mais…

– Tornar os sistemas de saúde trabalhos de investigação: hora de mudar o financiamento para a investigação conduzida localmente no sul. Saiba mais…

– A globalização da força de trabalho de enfermagem: “Juntando as peças”. Saiba mais…

– A escassez Global de profissionais de saúde: uma oportunidade para transformar o cuidado. Saiba mais…

– Políticas de saúde em conflito: seguro x sistemas públicos universais. Saiba mais…

– Quênia treina trabalhadores de saúde em sistema rápido e Sistema de Alerta no Estado de Borno.Leia mais…

– Formação da próxima geração de especialistas em saúde global : experiências e recomendações de Pacific Rim Universities. Leia aqui

– Porque estudantes de medicina, e de outras áreas , devem se interessar pela governança global em saúde. leia mais