SAUDE GLOBAL: DILEMAS E DESAFIOS DE ABORDAGENS DE SAUDE MENTAL GLOBAL

Os movimentos de Reforma Psiquiátrica e Luta Antimanicomial iniciados nos anos 60 e 70 tiveram êxito em vários países, entre eles o Brasil. O modelo asilar perdeu espaço, mas a ampliação do acesso à uma assistência psicossocial qualificada permanece sendo, em todo o mundo, um imenso desafio.

No início do século XXI, novos atores surgiram no campo da saúde mental. O movimento da Global Mental Health (GMH) – iniciado no fim dos anos 2000 por psiquiatras ligados a OMS e ao National Institute of Mental Health (NIMH) dos EUA ­- tem como objetivo responder a esses desafios atuais, procurando transformar o campo da saúde mental em um campo de atenção prioritário nas agendas públicas, ampliando o acesso ao cuidado e inovando no campo das estratégias assistenciais.

Rapidamente se criou uma polêmica em torno da novidade. O movimento vem sendo alvo de fortes críticas. Cientistas sociais e psiquiatras de orientação transcultural influenciados pelos ideais da anti-psiquiatria tendem a vê-lo como uma forma de expansão da psiquiatria colonialista, ou mesmo, como um veículo de domínio da psiquiatria anglofônica, que endossaria abordagens tecnocráticas do diagnóstico e tratamento, negligenciando determinantes sociais do sofrimento mental e características próprias às culturas locais. Profissionais de saúde mental voltados para a articulação da saúde mental à atenção básica em saúde tendem a ver no movimento um aliado. O debate em torno dessa questão tornou-se inevitável.

Esta disciplina tem o propósito de apresentar e discutir construtivamente o projeto da Global Mental Health bem como as posições contrastantes no interior de seu próprio campo. Esse curso se articula com outros cursos que vem sendo oferecidos no IMS patrocinados pelo Centro Rio de Saúde Global, vinculado ao IMS, no qual Saúde Mental Global é uma das linhas de pesquisa